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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Caminhos da Investigação: os Índices e os Títulos na Investigação em Gestão e as suas Variáveis

É indubitável a importância da indiciação prévia da investigação. Em ciência não se brinca! Ajuda-nos a organizar os passos da investigação e facilita o desenvolvimento coerente do mesmo.O índice, curiosamente, parece "sofrer" da mesma necessidade de conceptualização clara da relação lógica entre as variáveis em dada situação, sendo que do mesmo modo que entre duas variáveis parece haver lugar para visões relacionais distintas, também aqui no domínio da indiciação, parece haver lugar a translação e tradução, devendo procurarmos em primeira instância uma indiciação clara que nos ajude em afastar "o lost in translation" da própria investigação.

Para quem tem um pensamento estruturado, muito ordenado e disciplinado logicamente, a indiciação parece seguir a mesma lógica certinha e arrumada que desponta e dá frutos nas conclusões e recomendações finais. Para quem cultiva alguma caoticidade naquela espécie de brain storm cerebral (entre o quase nada jornalístico e uma certa expressão de plasticidade e constante ebulição mental de que fala Pacheco Pereira, no seu ponto com pouco contraponto) a indiciação tem essa vantagem de encurtar caminho (e esforço e dinheiro, quando se sobrevaloriza tempo e dinheiro) que de outro modo se perdia num caminho mais longo. Normalmente sigo a via mais longa, com óbvias penalidades e desvantagens da assumpção de practicidade, mas também com a vantagem de por caminho mais sinuoso se encontrarem elementos aparentemente escondidos chamados à pedra de novos ângulos e superfícies. Parece não ser o caminho da Gestão, mas é, porque a Gestão prática obriga a tempo de qualidade de reflexão!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Reflexões sobre o Enquadramento Teórico - Conceptual de Projectos de Dissertação

Não há dúvida, pela experiência que nos advêm de exercícios de enquadramentos teóricos - conceptuais de Projectos de Investigação, que restringir a temática de Projectos de Investigação é necessário mas (e há sempre um mas!), mesmo a restrição fica refém de um conhecimento alargado e apriorístico do dejá adquirido. Isto sob pena: dos trabalhos de investigação serem apenas uma confirmação desinteressante do já existente; do tempo (o tempo será sempre um nosso amigo?)... dado que parece inviável um trabalho de investigação com interesse sem capacidade, direito de regresso e reorientação do caminho; o problema da população e a real possibilidade do nosso acesso a uma representatividade com fiabilidade.

Tentar responder a uma tese de investigação «porque crescem uns países mais que outros» parece não estar à mão do sucesso de um investigador (já amaciado pela tentativa e erro para a humildade, retornado à terra e temporalmente assediado). A nossa tendência para as investigações grandiloquentes e abrangentes fazem-nos esquecer que, possivelmente antes de respostas a problemas macro, seria talvez de bom senso para o sucesso o conhecimento do mundo micro (este aspecto do foco faz-me recordar os "grandes economistas" da nossa praça tentando responder sempre aos problemas da vida e da economia real através de meras aproximações macro. Esquecendo que, possivelmente, é na análise micro dos problemas que estão as respostas finas e eficientes para problemas que se adensam e acinzentam nos grandes agregados - mais um parêntesis para afirmar como me pareceria vantajoso o economista de empresa, à frente dos destinos económico - financeiros em detrimento do economista monetário sem moeda!). Nestes tempos de investigação e ciência, resta perguntar como foi possível poucos ou nenhuns se terem levantado sobre os limites (que pareciam incompreensivelmente inexistentes e infinitos) do endividamento?

Relativamente à resposta ao «porque crescem uns países mais que outros» já a investigação sobre «é a corrupção uma variável restritiva do crescimento?» me parece muito mais fazível ou factível, realista e tão inexoravelmente presente. E isto remeter - nos - ia para a ética e responsabilidade social nos negócios públicos e privados.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Da Escolha do Tema, da Revisão Bibliográfica, da Definição do Problema e da Importância destas Fases na Concepção de um Projecto de Investigação

No Universo editorial multiplicam-se como coelhos (nem Jorges, nem Passos!) conselhos e consensos sobre como fazer uma tese. Em sede de tese - com sede da mesma - há mesmo quem utilize vergonhosos estratagemas que fariam corar e enfurecer pioneiros como Umberto Eco. Não havendo tese sem tema, são logo à partida inúmeros os riscos e as tentações enumeradas por Umberto Eco no seu "Como fazer uma Tese". Verdadeiramente o que sabemos, segundo Eco, é que ao fazer uma tese exercitamos a memória, tanto a de curta como a de longa duração, podendo ir buscar “ao baú” temas antigos ou apostarmos na contemporaneidade. Tudo coisas, como Eco diz, que comportam riscos, como o risco da Tese panorâmica versus tese monográfica - o orgulho, versus a astúcia - a generalidade versus a “peritagem”.

A escolha do tema parece, assim, ser fundamental para não nos atolarmos em falta de rigor, falta de pudor (por imitação), falta de bibliografia (os tais anões desprovidos de gigantes). Fazer uma tese é escolher um tema, saber se estamos à altura dele - e se ele nos deixa estar à sua altura - tentando combater o nosso orgulho (e vaidade) de fazermos uma tese estado da arte da “Evolução das Espécies” ou um brilhante... poema lírico. Recolher documentos tentando distinguir nesses instrumentos as fontes cristalinas (não poluídas) e a "literatura - fonte crítica", ordenando-os, reexaminando temas à luz dos documentos, dando uma forma orgânica a todas as reflexões precedentes.

A acessibilidade das fontes na sua forma de revisão bibliográfica é também um problema. Desde a genial definição de Eco das traduções de trabalhos originais, ao compará-los com próteses, à inexistência do olhar rigoroso sobre as próprias fontes, porque sem fontes “não há água” - a não ser num trabalho eivado de demasiada originalidade, que potencie o risco da visão singular em estudo que se pretende científico. A definição clara do problema decorre e é fundamental. Saber decantar o objecto que se pretende tratar através de uma análise das diferentes variáveis, faz-nos perceber que a resposta a um problema exige um quadro lógico, onde se joga a relevância das variáveis e a sua definição clara, o modelo conceptual da relação entre variáveis, a explicação clara dessas relações. Afinal só a definição do problema permite gerar hipóteses e encontrar um quadro hipotético - dedutivo onde possamos exercitar o nosso falsificacionismo (o outro, não o do vergonhoso anúncio supra). A ciência na procura da verdade ou da solução é sem dúvida revisionista, mas nunca... desonesta!

Investigação em gestão: a Escolha do Tema

Na elaboração de um projecto de investigação deparamo - nos logo com uma dificuldade maior: a escolha do tema. Escolha do tema que se debate no cumprimento de algumas boas regras, entre elas algum domínio prévio da temática que permita discernir problemas[1] mas, acima de tudo, a “superveniência” de algo inovador, seja na abordagem, seja na problematização ou na confirmação. Uma das certezas que temos na elaboração de uma tese de investigação é que independentemente das regras de boas práticas na investigação, a recursividade e os avanços e recuos, farão indubitavelmente parte de qualquer processo de investigação.

Sekaran, autor de Métodos e Técnicas de Investigação em Gestão,  diz logo na abertura do seu manual que a investigação em Gestão (Sekaran & Bougie, 2009, p. 4) deve ser primariamente conduzida para resolver problemas sejam eles na área da contabilidade, das finanças, da gestão tout court ou no marketing.

Começa por ser curioso que de todas elas, as mais centradas e focadas num dado problema, parecem ser as de maior resolubilidade, onde a resiliência à investigação parece mais simplificada. É extremamente curioso, também, como a emergência de problemas de investigação nascem “como cogumelos” dificultando a opção de escolha numa espécie de existencialismo investigatório e como os interesses holísticos de um qualquer putativo gestor “faz-tudo” facilmente se sobrepõem à investigação de gestão aplicada pura.

O quadro 1 da página 4 de (Sekaran & Bougie, 2009) com a sua discriminação de algumas áreas de investigação em gestão, é um exemplo de como a escolha da temática é despertada muitas vezes por um glance instantâneo, inconsciente e inesperado. Com base no quadro de Sekaran seria interessante, por exemplo, cruzar os interesses por áreas manifestados por putativos investigadores, com a sua formação base, no sentido da verificação ou não da influência da formação nas escolhas investigatórias operadas. O sentido desse interesse, por seu lado, poderia nos levar à conclusão de dimensões de hábitos de aprendizagem e por aí adiante.

[1] O chamado equipamento adicional básico dos fenómenos.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Métodos de Investigação em Gestão: Enquadramento Teórico - Conceptual de Projectos de Dissertação

Um dos problemas que se coloca no enquadramento teórico - conceptual de projectos de Dissertação é a necessidade de ser exaustivo na causalidade das relações.

Fundamental em alguns tipos de investigação, para além do recurso a  eventuais questionários ou entrevistas estruturadas e da própria "literature survey", é a possibilidade do levantamento de dados "eventualmente " omissos - afastados por entrevistas não estruturadas - que possibilitam dar "ângulo vivo" ao nosso quadro mental. Afinal muitas variáveis causais ou correlativas podem fazer parte de ângulos mortos, não só por questões de quadro mental próprio mas sobretudo devido a alterações temporais.